Ora ontem vi mais duas notícias que me fizeram constatar a tamanha hipocrisia do nosso governo. Ora a primeira foi uma notícia sobre um jovem de 26 anos que na madrugada de sábado para domingo (de 8 para 9 de Dezembro) por volta das 3 ou 4 da manhã na Nacional 125 que se despistou num carro desportivo e furou literalmente pela parede de uma casa demolindo-a na sua quase totalidade e transformando o respectivo bólide numa panqueca ao passo que ele, coitado talvez tenha sido o mais sortudo, apesar da tragédia porque teve morte imediata.
Ora isto por si só não merecia um comentário de hipocrisia do governo não fosse pelo facto de pouco depois ter escutado uma outra reportagem sobre o desejo do governo em combater a sinistralidade e de ir nos próximos anos instalar mais radares aos longo das principais estradas do país para desencorajar o excesso de velocidade, um dos principais factores responsáveis pelos acidentes violentes que todos os anos ceifam centenas de pessoas e estragam a vida a não sei quantas mais.
Ora agora digo eu, se os senhores do governo que são os responsáveis pela legislação e impostos sobre o sector automóvel no nosso país realmente quisessem dar uma séria machadada na sinistralidade avanço aqui uma medida muito simples, limitem a velocidade nos veículos vendidos em Portugal (com estranguladores nos motores, por exemplo). Parece algo simples de dizer, mas compreendo obviamente que isto nunca acontecerá.
O motivo é simples, o montante que o ramo automóvel contribui para as finanças nacionais não é de modo nenhum insignificativo, e os lobbys dos fabricantes (e outros ligados ao ramo) de automóveis (que já agora são os principais responsáveis pelos acidentes, antes mesmo dos condutores embriagados e dos aceleras, porque lhes põem nas mãos armas carregadas com aceleradores de 130, 140, 150, 160, 170.... 210... km/hora que em vez de ceifarem a vida a uma pessoa, com a embalagem levam três ou quatro) nunca permitiriam que os seus belos modelos fossem de algum modo limitados porque isso lhes afectaria os rendimentos.
Ora no que ficamos com tudo isto, os fabricantes que continuam a construir carros mais “seguros” capazes de velocidades mais elevadas quando a velocidade máxima é constante e não ultrapassa os 120 km/hora. E o governo que fala de segurança na estrada, mas que na realidade não faz nada a não ser multar os infractores porque meter dinheiro nos cofres é sempre melhor do que o gastar na segurança dos eleitores. E por, fim, não pensem que me esqueci deles, mas aqueles malucos das máquina voadoras (que acredito que quando se espetam, até voam) que deviam ter era os carros apreendidos imediatamente assim que fosse determinado que o veículo tivesse sido alterado de algum modo para além do limite de velocidade permitido por lei (que teria de ser implementado em conjunto com o estrangulamento do resto dos motores dos automóveis vendidos em Portugal, porque senão ainda que se possa aprovar ficariam a existir dois pesos e duas medidas que nunca é bom numa democracia que já tem que chegue com que se preocupar com a inflação, o desemprego e todos os restantes problemas que aparentemente todos conseguem agravar mas que ninguém consegue resolver).
Conclusão, quando vejo alguém dizer que os radares vão ajudar a combater a sinistralidade e a reduzir o excesso de velocidade, alguém que tenha a honestidade e dignidade de dizer que pelo caminho vão é encher os bolsos à conta dos contribuintes como é costume, porque não lhes apetece realmente, desculpem a expressão, agarrar o problema pelos colhões e resolvê-lo.
Viva a liberdade de expressão.
dc
Sem comentários:
Enviar um comentário