Pois é, continuamos a ouvir notícias que nos informam que o desemprego continua a ser um flagelo e que cada vez mais empresas e pessoas encontram dificuldades em assegurar a sua subsistência. Mas quando será que alguém irá fazer a distinção entre emprego e trabalho? Emprego sem dúvida que há pouco, mas isso sempre houve, emprego é aquilo que os gatos gordos e seus familiares, associados, amigos e afins têm e como a expectativa de vida está cada vez maior é algo que agarram com unhas e dentes e não largam até não poderem mais. Já trabalho, bom isso meus amigos venho eu dizer que não falta. Não neste país pelo menos.
Agora o número de pessoas que estão dispostas a aceitar os trabalhos que existem, isso é outra conversa. Não entendam esta exposição como uma crítica às pessoas que perderam os seus trabalhos devido a dificuldades financeiras ou por outros motivos que não a sua culpa, porque essas coitadas viram-se sem a sua subsistência depois de trabalharem, em muitos casos, décadas em trabalhos para cuidarem dos filhos, pagarem as casas e carros e enfim, para darem uma melhor vida aqueles pelos quais são responsáveis por cuidar, e por tentarem ter uma vida melhor que aquela dos seus progenitores, que ao fim ao cabo é o que qualquer um de nós quer para si, e para os seus filhos.
Com isto, refiro-me aquelas pessoas, na sua grande maioria jovens que, por terem uma educação melhor em muitos casos que aquelas que os seus pais tiveram querem arranjar um emprego quando terminam os seus respectivos cursos, e que se queixam frequentemente de que não existem emprego. Bom, o não existir emprego é explicado em cima, por isso passemos ao trabalho. Ora são cada vez menos, devido às circunstâncias da sua educação, as pessoas que se querem consolar com menos do que aquilo para que trabalharam durante os primeiros anos de formação da sua jovem vida.
Não que seja uma coisa má, pelo contrário, acho que numa sociedade ideal todos deveriam ter direito a trabalhar naquilo que receberam formação para fazer, porque é assim que a sociedade evolui, ao ter as pessoas certas para os trabalhos certos. É quando essa atitude chega ao ponto de não procurarem outros trabalhos para iniciar a sua vida activa, só porque não conseguem trabalho na sua área de escolha que a coisa dá para o torto. E é esse o problema com o “desemprego” ou deveria dizer “desemtrabalho”, porque as pessoas não querem aceitar coisas que consideram abaixo da sua formação e da sua já considerável “experiência” de trabalho.
Ora se uma pessoa, já com alguma idade e experiência de trabalho, é despedida porque a empresa abre falência, essa pessoa não se preocupa tanto em pensar em não posso aceitar outro trabalho se ele surgir porque é abaixo das minhas qualificações, mas preocupa-se mais em pensar com o facto de que tem a casa para pagar, tem o carro para pagar, tem a educação dos filhos para pagar e um sem número de contas para saldar no final de cada mês que o simples orgulho e altivez de recusar um trabalho remunerado não paga por elas.
A que ponto vem tudo isto? Pois bem, as gerações mais “novas” ainda têm alguma coisa para aprender mesmo depois de terminarem a sua formação e estarem prontos para entrarem na vida activa. Por isso é preciso também aprender essa lição antes de clamar aos sete ventos as calamidades do não encontrar um emprego que lhes encha as medidas logo à primeira tentativa na primeira entrevista.
dc
2 comentários:
LOL, onde é que eu já vi isto?
provavelmente num blog meu... nunca passa de moda...
Enviar um comentário